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Concessões de infraestrutura podem dobrar contratos de seguros em 2017

dezembro 2, 2016
Tempo de leitura 3 min

Fonte: CQCS

As concessões de infraestrutura prometidas pelo governo federal devem proporcionar até o dobro de crescimento para seguros específicos ao setor ao longo de 2017. Entraves políticos e falta de produtos no setor, no entanto, ainda são desafios a serem superados.

Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) apontam que produtos relacionados a grandes riscos aumentaram 27,7% em setembro deste ano na comparação com igual mês do ano passado de (R$ 192,6 milhões para R$ 150,8 milhões).

Os especialistas ouvidos pelo DCI, no entanto, apenas 30% desse total correspondiam aos prêmios do setor de infraestrutura. No total do mercado (que arrecadou R$ 257 bilhões em 2015), apenas R$ 1,6 bilhão correspondia a seguros do segmento.

“O mercado está esperançoso. Desde o início da recessão o segmento parou, e só sobreviveu à custa da emissão de garantias das apólices já contratadas, que seguem o ritmo das obras públicas”, identifica Bruna Timbó, diretora executiva da LTSeg.

Ela ressalta que, como os projetos foram paralisados por falta de verba do Estado, o setor também foi atingido. “Sem pagamento, muitas vezes há o abandono das obras, causando prejuízo às partes envolvidas”, completa a executiva.

Dentre os produtos que podem se destacar, estão seguros de garantia, de riscos de engenharia, de responsabilidade civil, de riscos operacionais, de equipamentos e de pessoas.

Além disso, de acordo com André Dabus, membro da comissão de crédito e garantia do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP), há uma expectativa em relação à ampliação dos modelos de produtos de risco.

“Todo esse mecanismo gera uma oportunidade forte para seguradoras e resseguradoras até 2019, onde essas companhias serão fundamentais para fazer as obras se concretizarem”, avalia o especialista.

Entraves políticos

Ainda segundo Dabus, apesar dos R$ 1,6 bilhão do seguro de infraestrutura mostrarem tendência de crescimento superior a 50% até metade de 2017, o mercado enfrenta desafios.

“Esse movimento tem atravessado obstáculos relativos aos entraves políticos do atual governo, motivos pelos quais os anúncios das concessões já foram adiados”, comenta o membro do Sincor. Ele afirma, porém, que assim que o governo dar o aval às construtoras, as seguradoras e resseguradoras estarão preparadas.

“O número não aumentará de um dia para o outro, mas a expectativa é que chegue a patamares superiores a 50% no meio do ano e até dobre ao final de 2017 e começo de 2018”, ressalta Dabus.

O diretor de riscos de engenharia da Zurich, Fábio Silva, ainda destaca que outro processo pelo qual o mercado está passando é o preparo de suas estruturas e produtos para as concessões de forma a “aumentar a densidade dos produtos da carteira para oferecer todos os produtos exigidos”.

“O mercado trabalha com a demanda e está monitorando o que está acontecendo. Ainda existem questões em discussão, mas o grande desafio é conseguir ter um pacote de produtos preparados para ganhar o cliente”, disse Silva.

De acordo com ele, nesse cenário, a expectativa é que os sinistros do setor também aumentem no período.

Estagnado, os sinistros ocorridos, conforme dados da Susep, recuaram 80,1% em setembro deste ano em relação a igual mês de 2015 (de R$ 119,1 milhões para R$ 23,6 milhões).

“Quanto mais riscos, maior é a chance de os sinistros aumentarem. Isso, porém, é algo trabalhado dentro da equipe, formada para mitigar essa exposição. Há riscos no projeto, mas é pra isso que o seguro serve”, completa.

De outro lado, porém, apesar do preparo, os especialistas destacam que ainda há poucas seguradoras no setor. “É preciso um preparo maior, porque a infraestrutura só aliviará a crise se estruturada nos produtos certos”, comenta Leandro Poretti, diretor geral da Sancor.

Para Timbó, porém, o mercado segurador ainda precisa de discussões macroeconômicas junto ao Estado. “A escassez de projetos, a paralisação de tantos outros e a insegurança jurídica trouxeram desânimo ao setor, e esses prontos precisam de uma análise conjunta para que não culminem em um novo abalo para o segmento”, identifica Timbó.

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